Acabei de ler uma reportagem na internet, dizendo que o PSC, partido do pastor deputado Marco Feliciano, informou que não abre mão ("desse jeito") do nome do deputado como presidente da CDH da câmara dos deputados. Ou seja, o estado está loteando para o partido a pasta ou qualquer pasta que garanta a participação no governo, tendo como moeda de troca, o apoio a candidatura da Dilma em 2014(?) ou seja lá qual for a moeda de troca nesse caso.
O fato é que o poder está loteado, fatiado e entregue nas mãos de verdadeiras quadrilhas de terno e gravata que, em nome de interesses diversos, trocam apoio, favores, cargos para amigos e parentes de até 34 gerações, enfim, tudo o que for do interesse dos envolvidos. Recentemente, houve uma reforma ministerial e o que foi feito? Apenas ajustes de apoio político para a Dilma, trocando em miúdos. Competência, carreira, vocação que seja, isso é apenas detalhe. O mesmo cara que hoje cuida dos transportes, pode amanhã estar cuidando da sua saúde, depende apenas de qual interesse essa troca vai beneficiar.
Não sei se é apenas um problema meu, se estou no lugar errado ou se estou me informando no lugar errado, honestamente, não sei. As cortinas de fumaça são tantas que o que deveria ser de interesse amplo, se torna conversa de minorias ou coisa "difícil" demais pra entender ou simplesmente ignorada por conta da obra de arte pintada pelos nossos políticos ao longo dos anos, que os retrata como farinha do mesmo saco, sempre. Daí ouvimos constantemente a frase "Político nenhum presta" e, de uso desa muleta sagrada, se justificam por não querer fazer parte de nada, nem ao menos acordar pra o que está acontecendo, desde que a novela e o futebol estejam garantidos, o resto a gente dá um jeito.
Ação social, como a última promovida pelo governo, garantindo os direitos de empregados domésticos a uma porção de benefícios novos. Por favor, jamais seria contra ampliação de direitos de qualquer classe mas da maneira como foi feito, o efeito a curto prazo será desastroso. O custo pra se ter um empregado doméstico aumentou absurdamente e se o cidadão ou cidadã resolver passar da hora no trabalho, alegando dedicação total a você, vai dormir sorrindo sabendo que vai receber suas horas extras numa boa.
Enquanto nós, meros mortais, estamos fazendo malabarismos financeiros para manter a roda girando em casa, nos deparamos com essa situação que nos coloca de joelhos diante da máquina.
Ouvi um economista dizendo numa matéria (me desculpe mas não me recordo onde vi isso mas alguém mais deve ter visto) que não houve qualquer medida de compensação para o empregador, até a título de estimulo, para manter o empregado ou regularizar a situação dele.
Vemos noticiários sobre carga tributária sendo a maior do mundo, vemos medidas como o de destacar o valor dos impostos nas etiquetas de preços, enfim, coisas que tentam, de alguma forma, fazer com que as coisas saiam de uma mera entrevista na TV se dizendo indignado, para ação coordenada de boicote, ação popular (que aliás, estamos vendo que não fez efeito no caso do Feliciano), enfim, qualquer coisas que desperte nas pessoas o sentimento de que precisamos cuidar melhor do que é nosso.
Me fez lembrar um pouco de um dos últimos posts, quando citei o caso do gafanhoto, do filme vida de insetos. A pressão popular para a saída do Feliciano sem que haja efeito (sob a alegação do partido de que o Feliciano é "ficha limpa") mostra aos indignados o seguinte: Não adianta se moverem, não adianta se organizarem, não adianta tentar desestruturar a casa porque não vão conseguir, sob a benção do STF, da câmara e da batuta do executivo. É o opressor informando ao povo que a sujeira é pó de fundo, fundo do tapete vermelho pelo qual as figuras da política ainda se vangloriam de pisar e desfilar e ainda somos obrigados a ouvir sem questionar, de todos os lados, absurdos que se justificam pela posição dos que fazem os discursos.
Será que ainda dá tempo ?
Valew !